TIMES QUE AMEDRONTARAM O BRASIL NO SÉCULO 21

No século 21, o futebol brasileiro nos permitiu ver times que intimidaram os demais com sua forma de jogar.

Alguns desses ganharam de gigantes europeus, como Barcelona, Liverpool e Chelsea.

A soberania brasileira em campeonatos continentais, tornando os temores dos vizinhos sul-americanos.

Esquadrões que mexeram com o patamar técnico do país, colocando o futebol brasileiro em seu devido lugar.

Inúmeros craques surgiram e jogadores de peso vieram para o Brasil.

Ainda hoje, muitos tratam o futebol europeu como um patamar inalcançável por conta do dinheiro e dos grandes astros.

Dentro das quatro linhas, o Brasil já provou que seu nível técnico é igualmente altíssimo e amedrontador.

Esta é uma viagem pelos times que não apenas venceram, mas que impuseram um temor psicológico e tático em seus rivais. 

A TRÍPLICE COROA DA RAPOSA

O ano de 2003 marcou uma nova era com os pontos corridos, e o Cruzeiro de Luxemburgo elevou o sarrafo da competitividade. 

Foi o primeiro a conquistar a Tríplice Coroa — Mineiro, Copa do Brasil e Brasileiro — em uma única temporada avassaladora. 

O time passava autoridade pela organização perfeita, com um técnico que sabia extrair o máximo de cada peça do tabuleiro. 

O grande arquiteto era Alex, o “Professor”, que viveu uma das temporadas mais geniais da história do futebol mundial. 

Alex decidia jogos com passes milimétricos e gols de placa, fazendo os marcadores parecerem meros espectadores de sua arte. 

Atingiram a marca de 100 pontos no Brasileirão, balançando as redes 102 vezes em uma única edição do campeonato. 

Jogar no Mineirão contra aquele elenco era um pesadelo, pois o visitante já iniciava a partida acuado pela pressão ofensiva. 

O Cruzeiro de 2003 não apenas ganhava; ele asfixiava a esperança do adversário com uma posse de bola inteligente e letal. 

A SOBERANIA DO TRICOLOR

O poderoso São Paulo de 2005 começou a ser arquitetado por Cuca em 2004, quando o clube voltou à Libertadores após 10 anos. 

Naquele ano, a queda para o Once Caldas foi dolorosa, mas serviu de combustível para o ano mais glorioso da história recente. 

Em 2005, o Tricolor voltou com novos pilares, como os volantes Josué e Mineiro, além do faro de gol do matador Luizão. 

Com Emerson Leão, o Tricolor sobrou no Paulistão, garantindo o título antecipado com o melhor ataque.

Com a ida de Leão para o Japão, Paulo Autuori assumiu e refinou o equilíbrio emocional e o refino técnico da equipe. 

No mata-mata, o time virou um rolo compressor, eliminando o rival Palmeiras e goleando o Tigres do México no Morumbi. 

A semifinal contra o River Plate foi o ápice, com o Tricolor vencendo os argentinos com uma autoridade assustadora. 

Na final contra o Athletico-PR, o 4 a 0 histórico provou que o Morumbi era um território onde visitantes entravam apenas para sofrer. 

O ano terminou no Japão, onde Rogério Ceni e o gol de Mineiro pararam o Liverpool, devolvendo o Brasil ao topo do mundo. 

O DESPERTAR DO COLORADO

O resiliente Inter de 2006 vinha de traumas, como a queda na Sul-Americana e a polêmica do Campeonato Brasileiro de 2005. 

Sob o comando de Abel Braga, o elenco uniu a técnica apurada à famosa “pegada” gaúcha para buscar a glória continental. 

Mesmo perdendo o Gauchão para o Grêmio, o grupo não se abalou e focou todas as energias no sonho da Libertadores. 

O time tinha a liderança de Fernandão, a explosão de Rafael Sobis e o vigor defensivo imposto pela dupla Índio e Bolívar. 

Na fase de grupos, o Internacional terminou invicto, superando o tradicional Nacional do Uruguai com enorme maturidade tática. 

No mata-mata, o Inter despachou os uruguaios e atropelou o Libertad em um Beira-Rio fervente.

Na final contra o São Paulo, Rafael Sobis calou o Morumbi com dois gols relâmpagos que deixaram o campeão mundial amedrontado. 

O empate em 2 a 2 na volta selou a campanha impecável, levando o Colorado ao topo da América pela primeira vez.

A consagração máxima veio no Mundial, onde a disciplina gaúcha parou o Barcelona de Ronaldinho com o gol eterno de Gabiru. 

A OUSADIA DA VILA

Falar do Santos de 2011 é destacar o brilho de jovens talentos como Neymar, Paulo Henrique Ganso e o polivalente Danilo. 

A base já encantava em 2010 com dancinhas e goleadas que perturbavam os rivais e traziam uma nova alegria ao futebol. 

Com Muricy Ramalho, o “futebol moleque” ganhou o equilíbrio defensivo necessário para conquistar o continente após 48 anos. 

O mundo via o surgimento de Neymar, gênio que aterrorizava defesas com seus dribles e improvisos fascinantes.

Ao seu lado, Ganso ditava o ritmo com passes magistrais, enquanto Elano trazia a calma necessária nos momentos de pressão. 

A campanha começou com turbulência e a demissão de Adilson Batista, mas a chegada de Muricy mudou o destino do Peixe. 

A virada ocorreu contra o Colo-Colo, em uma vitória por 3 a 2 marcada pela polêmica expulsão de Neymar após usar uma máscara. 

Nas fases finais, o Santos amedrontou rivais como o América do México e Once Caldas com exibições seguras e inteligentes. 

A final contra o Peñarol no Pacaembu foi o palco onde Neymar e Danilo garantiram o Tri, devolvendo ao Santos o trono de Pelé. 

A MÍSTICA CORINTHIANA

Sob Tite, o Corinthians de 2012 construiu uma estrutura coletiva que amedrontava pela impossibilidade de ser vazada.

Aquele elenco não dependia de um único “superastro”, pois o conjunto funcionava como uma engrenagem que asfixiava o rival. 

A disciplina tática era tão severa que os adversários já se sentiam derrotados antes do apito inicial.

Na campanha invicta da Libertadores, o Timão sofreu apenas 4 gols em 14 jogos, uma marca assustadora para qualquer ataque. 

Gigantes como o Vasco e o próprio Santos de Neymar pararam na organização de Chicão, Castán e na segurança de Cássio. 

O terror atingiu o ápice na final contra o Boca, onde Emerson Sheik decidiu com dois gols que calaram os argentinos.

A consagração veio no Japão, onde o Corinthians provou que a organização e a raça poderiam anular os bilhões do Chelsea.

Aquele time convencia o adversário, através de sua mística inabalável, de que marcar um gol ali era uma missão impossível. 

OUTRO PATAMAR

Antes de alcançar o “outro patamar”, o Flamengo viveu anos de frustrações que tornavam o sucesso de 2019 algo improvável. 

O torcedor carregava cicatrizes de quedas na fase de grupos da Libertadores e a perda da Copa do Brasil de 2017 para o Cruzeiro. 

Rotulado como clube do “cheirinho”, a chegada de Jorge Jesus destruiu fantasmas e mudou a mentalidade do futebol brasileiro. 

O rubro-negro implementou uma intensidade europeia, transformando o trauma anterior em uma máquina de moer adversários. 

A marcação alta perturbava os rivais, que não conseguiam sequer trocar passes na saída de bola sem serem pressionados. 

Cada tiro de meta adversário virava um pesadelo diante da pressão coordenada de Gabigol, Bruno Henrique e Arrascaeta. 

O ápice foi a semifinal contra o Grêmio, onde o Maracanã viu um atropelo de 5 a 0 sobre um dos times mais copeiros do país. 

Na final contra o River Plate, a mística e o faro de Gabigol transformaram a derrota em virada épica em apenas três minutos. 

O Flamengo de 2019 provou que o ataque incessante era sua arma mais assustadora, enterrando vexames para dominar a América.

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