O Flamengo garantiu sua vaga nas quartas de final da Libertadores em mais uma noite decisiva no Maracanã.
Mesmo administrando a carga física após uma temporada marcada por lesões, Arrascaeta abriu o placar com um golaço no momento de maior pressão da partida.
A atuação em seu jogo de número 100 pela competição continental rendeu elogios na coletiva pós-jogo, sendo exaltado até mesmo como um “jogador fantástico”.
No entanto, a trajetória do uruguaio no futebol brasileiro não foi feita apenas de elogios.
Em diversos momentos, Arrascaeta foi chamado de “superestimado” ou colocado em xeque em comparações com outros meias.
Às vésperas dessa classificação, não foi diferente.
Em um programa esportivo, o jornalista Elia Júnior afirmou que Matheus Pereira, do Cruzeiro, seria muito superior ao camisa 10 rubro-negro.

“O Matheus Pereira é melhor que o Arrascaeta, mas muito melhor. Ele corre muito mais, tem mais visão de jogo (…), é muito mais jogador”, declarou.
A resposta do uruguaio, como de costume, veio onde mais importa: dentro de campo.
Com bola na rede, participação na criação e protagonismo no meio-campo, Arrascaeta comandou o Flamengo na classificação.
Mas essa está longe de ser a primeira vez que o camisa 10 transforma críticas da imprensa em motivação.
Relembre outros momentos em que Arrascaeta foi contestado pela mídia e respondeu com a bola nos pés.
O RÓTULO DE “SUPERESTIMADO” E A RESPOSTA SOBRE INVEJA

Em abril de 2021, durante o programa Futebol Na Veia, da ESPN, o jornalista Fabio Sormani questionou abertamente o patamar de Arrascaeta.
O comentarista disparou contra o meia rubro-negro:
“Arrascaeta é muito superestimado pela torcida do Flamengo. Ele não joga tudo isso (…) Nunca recebeu proposta, nem da periferia do futebol europeu. Não desperta interesse nem da Ucrânia.”
Sormani ainda completou que o uruguaio não era craque.
Segundo o comentarista, só mudaria de opinião “se o Liverpool o contratasse e ele ganhasse quatro Champions seguidas”.
Sem citar nomes, o Uruguaio rebateu no Twitter com uma frase marcante:
“A inveja é o tributo que a mediocridade presta ao talento.”
A tréplica definitiva, porém, veio com a bola nos pés.
Mesmo em um ano marcado por convocações e problemas físicos, Arrascaeta terminou 2021 com os títulos da Supercopa do Brasil e do Carioca.
O meia também entrou para a seleção ideal da Libertadores.
Nas temporadas seguintes, respondeu ao ceticismo liderando o Flamengo aos títulos da Libertadores de 2022 e da Copa do Brasil.
Com o tempo, Arrascaeta consolidou-se como um dos maiores estrangeiros da história do futebol brasileiro.
CETICISMO EM DEBATE ESPORTIVO

Em maio de 2024, durante o programa Fim de Papo, do UOL, o jornalista Arnaldo Ribeiro voltou a questionar o espaço de Arrascaeta entre os grandes nomes do futebol sul-americano.
Durante o debate com Renato Maurício Prado, Arnaldo apontou a falta de constância física como um dos principais motivos para colocar o meia em xeque:
“Para mim, o Arrascaeta é um jogador muito superestimado, mas muito, jogador de lampejos. Nunca foi titular da seleção desde 2019, nunca consegue jogar cinco partidas seguidas, é um jogador pouquíssimo competitivo, mas tem que ser utilizado estrategicamente.”
A declaração gerou repercussão e abriu um novo debate sobre a importância do uruguaio.
A resposta de Arrascaeta, porém, veio da forma como a torcida já se habituou: dentro de campo.

De volta justamente na partida contra o Bolívar, o meia voltou a ditar o ritmo do setor criativo do Flamengo.
Ao longo daquela temporada, também respondeu aos questionamentos sobre sua competitividade em momentos decisivos.
Mesmo administrando minutos e lidando com desgaste físico, Arrascaeta continuou sendo uma das principais armas do Flamengo
O parâmetro do futebol brasileiro: A régua Arrascaeta

Ao longo dos últimos anos, Arrascaeta atingiu um status tão consolidado que se tornou parâmetro para avaliar os principais meias do país.
Sempre que um camisa 10 vive grande fase, a imprensa e as torcidas reabrem o debate e o colocam lado a lado com o uruguaio.
Foi assim com Raphael Veiga, Jhon Arias, Paulo Henrique Ganso, Rodrigo Garro e, mais recentemente, Matheus Pereira.
Nomes como Gustavo Scarpa, Nacho Fernández, Alan Patrick, Dimitri Payet e Jefferson Savarino também foram comparados ao camisa 10 da Gávea.
O padrão, no entanto, é o tempo.
Enquanto diversos meias vivem grandes fases e protagonizam debates sazonais, Arrascaeta permanece no topo de maneira ininterrupta há quase uma década.
Ser a eterna unidade de medida do futebol nacional apenas reforça seu tamanho: para colocar alguém em xeque, é preciso compará-lo ao melhor.
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