Deixado de lado no Real Madrid, Martin Ødegaard passou por empréstimos, perdeu espaço e viu sua carreira ser colocada em dúvida.
Anos depois, reinventou-se, tornou-se capitão do Arsenal e liderou a Noruega na campanha que eliminou o Brasil de Carlo Ancelotti da Copa do Mundo.
CHEGADA AO REAL MADRID

Martin Ødegaard mostrou muito cedo que era um talento fora da curva.
Aos 15 anos, tornou-se o jogador mais jovem a atuar pela seleção principal da Noruega, chamando a atenção de toda a Europa.
A maturidade e a inteligência dentro de campo impressionavam torcedores, dirigentes e a imprensa esportiva
Disputado por gigantes como Bayern de Munique, Barcelona e Arsenal, o meia acabou escolhendo o Real Madrid.
Muito por insistência do presidente Florentino Pérez.
O clube apresentou um projeto de desenvolvimento que previa treinamentos com o elenco principal comandado por Carlo Ancelotti e minutos no Real Madrid Castilla, então treinado por Zinedine Zidane.
Apelidado na época de “Messi nórdico”, Ødegaard chegou à Espanha cercado por uma enorme expectativa.
No entanto, a pressão sobre um adolescente de apenas 16 anos seria tão grande quanto o tamanho de seu talento.
Embora o projeto apresentado pelo Real Madrid parecesse ideal para sua evolução, a realidade foi bem diferente.
A dificuldade para conquistar espaço no elenco principal fez com que o norueguês enfrentasse os primeiros grandes desafios de sua carreira.
Era o início de um período de incertezas que colocaria à prova seu potencial e sua capacidade de superação.
EMPRÉSTIMOS E PERDA DE ESPAÇO

“Não é fácil integrar-se ao núcleo do vestiário. Você fica mais solitário.”
Foi assim que Martin Ødegaard resumiu, em entrevista à TV 2, sua passagem pelo Real Madrid.
O projeto apresentado pelo clube espanhol não se concretizou da forma esperada.
Além da adaptação a um dos maiores clubes do mundo, o jovem norueguês precisava disputar espaço com alguns dos melhores meio-campistas da época.
Entre eles, Luka Modrić, Toni Kroos, Isco e James Rodríguez.
Sem perspectivas de ganhar sequência na equipe principal, iniciou uma longa jornada por empréstimos.
Seu primeiro destino foi o Heerenveen, da Holanda.
A adaptação não foi simples, e o meia encontrou dificuldades para corresponder às altas expectativas criadas desde a adolescência.
Rapidamente, parte da imprensa passou a classificá-lo como uma “promessa desperdiçada”.
“A imprensa veio atrás de mim por não corresponder imediatamente ao alvoroço criado. Eu era um alvo fácil”, relembrou Ødegaard em 2023.
Mesmo diante das críticas, o norueguês não desistiu.
Aos poucos, ganhou minutos em campo, amadureceu e recuperou a confiança.
Foi justamente em seu segundo empréstimo na Holanda, defendendo o Vitesse, que voltou a mostrar o futebol que havia encantado a Europa anos antes.
Com uma temporada marcada por gols, assistências e atuações decisivas, Ødegaard voltou a ser protagonista.
Era o primeiro grande passo para reconstruir a própria carreira.
RENASCIMENTO NO REAL SOCIEDAD

Após boas passagens pelo futebol holandês, Martin Ødegaard recebeu a oportunidade que mudaria sua carreira.
Atuar novamente na LaLiga.
Em julho de 2019, o Real Madrid acertou seu empréstimo para a Real Sociedad, clube conhecido por desenvolver jovens talentos.
A adaptação foi imediata.
Logo em sua primeira temporada, o norueguês assumiu o protagonismo da equipe e passou a ser um dos destaques do Campeonato Espanhol.
Com visão de jogo, criatividade e personalidade, voltou a demonstrar o futebol que havia despertado o interesse dos maiores clubes da Europa anos antes.
O auge daquela passagem aconteceu na Copa do Rei.
Nas quartas de final, a Real Sociedad eliminou justamente o Real Madrid, no Santiago Bernabéu, em uma vitória por 4 a 3.
Ødegaard marcou um dos gols da classificação.
Meses depois, conquistou o título da competição, o primeiro grande troféu de sua carreira.
Mais do que os números e a taça, a temporada na Real Sociedad representou o renascimento do norueguês.
Depois de anos convivendo com dúvidas, críticas e empréstimos, o meia finalmente provou que estava pronto para atuar em alto nível.
O retorno ao Real Madrid parecia ser o início de uma nova história.
No entanto, o destino ainda reservava mais um obstáculo antes da consagração definitiva.
DE VOLTA PARA MADRID

Após a temporada de destaque na Real Sociedad, o Real Madrid decidiu trazer Martin Ødegaard de volta para integrar o elenco na temporada 2020/21.
Agora sob o comando de Zinedine Zidane, a expectativa era de que, finalmente, o norueguês conquistasse seu espaço com a camisa merengue.
O início foi promissor.
Mas uma lesão na panturrilha interrompeu sua sequência justamente quando começava a ganhar ritmo.
Ao retornar aos gramados, voltou a enfrentar a forte concorrência no meio-campo.
E percebeu que as oportunidades continuavam escassas.
A sensação era de que a história estava se repetindo.
Sem conseguir a continuidade que buscava, Ødegaard voltou a questionar seu futuro no clube.
Em janeiro de 2021, Real Madrid e Arsenal chegaram a um acordo por um empréstimo até o fim da temporada.
Mais uma vez, o meia deixava Madrid em busca do espaço que parecia nunca chegar.
O que parecia apenas mais um empréstimo acabou se transformando no capítulo mais importante de sua carreira.
Sem imaginar, Ødegaard estava prestes a encontrar o clube onde voltaria a sorrir, recuperaria a confiança e iniciaria a trajetória que o transformaria em um dos melhores meio-campistas da Europa.
PRIMEIRA PASSAGEM PELO ARSENAL

Se fosse para definir os seis meses de Martin Ødegaard no Arsenal em apenas uma palavra, ela seria: produtividade.
O norueguês precisava voltar a jogar com regularidade e recuperar o protagonismo que havia perdido durante os anos de incerteza no Real Madrid.
Sob o comando de Mikel Arteta, a adaptação foi praticamente imediata.
Desde as primeiras partidas na Premier League, Ødegaard demonstrou toda a qualidade técnica que o transformou em uma das maiores promessas do futebol mundial.
Sua inteligência tática, visão de jogo e capacidade de criar oportunidades rapidamente fizeram dele uma peça importante no esquema da equipe inglesa.
Embora a passagem tenha durado apenas seis meses, o meia deixou uma excelente impressão em Londres.
Ainda assim, o desejo de conquistar seu espaço no Real Madrid falou mais alto.
Ao fim do empréstimo, retornou à Espanha acreditando que, depois de tudo o que havia vivido, finalmente teria a oportunidade de se firmar no clube onde sonhava fazer história.
No entanto, a realidade voltou a ser diferente das expectativas.
O FIM DO SONHO MERENGUE

“Falei com ele sobre a concorrência. Temos oito jogadores muito bons no meio-campo e não era fácil dar espaço a todos”, afirmou Carlo Ancelotti após retornar ao comando do Real Madrid, em 2021.
Ødegaard havia acabado de voltar de uma excelente passagem pelo Arsenal.
Ainda alimentava o sonho de construir uma história com a camisa merengue.
No entanto, a conversa com o treinador deixou claro que o cenário continuava o mesmo.
Conquistar espaço seria uma missão extremamente difícil.
Diferentemente do que havia feito nos anos anteriores, o norueguês decidiu não esperar por uma nova oportunidade.
Em vez de aceitar mais um período de incertezas, tomou uma das decisões mais importantes de sua carreira.
Deixar o Real Madrid em definitivo e assinar com o Arsenal.
Pela primeira vez desde que deixou a Noruega, Ødegaard encontrava um clube disposto não apenas a aproveitar seu talento.
Mas também a construir um projeto esportivo ao seu redor.
Aquela escolha marcou o fim de um sonho em Madrid.
Mas também representou o início da fase mais brilhante de sua trajetória.
ARSENAL E A FAIXA DE CAPITÃO

Em Londres, a redenção de Martin Ødegaard finalmente aconteceu.
O norueguês reencontrou seu melhor futebol, assumiu a faixa de capitão do Arsenal e se tornou uma das principais referências da equipe.
Depois de anos buscando estabilidade, encontrou no clube inglês o ambiente ideal para transformar seu talento em protagonismo.
Atualmente em sua sexta temporada pelos Gunners, Ødegaard consolidou seu nome entre os grandes meio-campistas do futebol europeu.
Conquistou a Premier League em maio deste ano, encerrando um jejum de 22 anos do clube.
Além disso, foi peça fundamental na campanha que levou o Arsenal à final da Champions League.
Embora o título tenha escapado após a derrota para o PSG nos pênaltis, a trajetória do norueguês já estava marcada por uma grande virada.
Aquele jovem tratado como promessa no Real Madrid finalmente havia encontrado seu lugar no futebol.
COPA DO MUNDO E A CLASSIFICAÇÃO HISTÓRICA CONTRA O BRASIL

Em 2026, Martin Ødegaard alcançou mais um marco em sua trajetória.
O capitão liderou a Noruega de volta a uma Copa do Mundo após 28 anos de ausência.
Ao lado de Erling Haaland, comandou a chamada “geração de ouro” norueguesa.
Uma equipe que rapidamente se tornou uma das grandes surpresas do torneio.
O momento mais emblemático veio nas oitavas de final.
Pela frente, estava o Brasil, agora comandado por Carlo Ancelotti.
O mesmo treinador que lhe deu a primeira oportunidade no Real Madrid, mas que nunca conseguiu consolidá-lo no clube espanhol.
Desta vez, porém, os papéis se inverteram.
Com Ødegaard organizando o meio-campo e Haaland decisivo no ataque, a Noruega venceu por 2 a 1 e eliminou a Seleção Brasileira.
Uma classificação histórica às quartas de final da Copa do Mundo.
Após o apito final, a tradicional “remada viking” tomou conta do gramado.
O gesto simbolizou a união de uma geração que recolocou a Noruega entre as grandes seleções do futebol mundial.
Para Ødegaard, a classificação representava mais do que um feito histórico para seu país.
Era também a confirmação definitiva de uma carreira construída sobre superação, resiliência e a capacidade de transformar dúvidas em conquistas.

