Neste sábado (4), França e Paraguai se enfrentam pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, no Philadelphia Stadium.
Em um confronto que carrega um dos maiores “déjà-vus” da história dos Mundiais.
Para quem olha o favoritismo e o ataque avassalador dos franceses, o jogo parece protocolar
Mas o confronto de logo mais, às 18h (horário de Brasília), traz à tona um “fantasma” que quase custou o primeiro título mundial da França.
O sufoco em Lens
Em 28 de junho de 1998, no Stade Félix-Bollaert, em Lens, a França de Zinedine Zidane (que cumpria suspensão naquele dia) sofria o maior sufoco da sua campanha rumo ao inédito título.
Do outro lado estava um Paraguai valente, liderado pelo goleiro José Luis Chilavert e por uma excelente defesa com Ayala e Gamarra.
Naquela tarde, a França tentou durante os 90 minutos.
Mas esbarrou na trave, no nervosismo e na defesa paraguaia.
Terminando o jogo em um empate por 0 a 0.
O resultado levou a partida para a prorrogação.
O drama só terminou aos 114 minutos de jogo, quando o zagueiro Laurent Blanc apareceu na área para marcar o primeiro Gol de Ouro da história das Copas.
Um lance que classificou os donos da casa e eliminou os sul-americanos.
Deschamps estava lá: era o capitão francês e sentiu, dentro de campo, aquele sufoco.
O cenário se repete em 2026
Esse jogo reflete perfeitamente o estilo atual das duas equipes.
A França, avassaladora, tem o ataque mais letal do torneio, com a velocidade e a qualidade de Barcola, Dembélé, Olise e Mbappé.
É uma equipe que, se der espaço, é letal.
Já o Paraguai, sob o comando de Gustavo Alfaro, “sabe sofrer”.
Foi assim que segurou o empate com a Alemanha e buscou a classificação nos pênaltis, consagrando o goleiro Orlando Gill como o herói.
”Os paraguaios vão jogar com as linhas muito baixas, defendendo ao máximo. Eles têm uma equipe forte, agressiva. Vão tentar segurar o jogo o máximo possível. Vão tentar desestabilizar os franceses, jogar com o psicológico e deixá-los irritados. É por isso que, nesse tipo de partida, o mais complicado é achar o primeiro gol. Se ele chegar cedo, ótimo, mas, se demorar muito, as coisas podem ficar frustrantes. O mais importante é não entrar no jogo do Paraguai”, alertou o ex-jogador francês Robert Pires na véspera do confronto.
Se em 98 o Paraguai tinha Chilavert, hoje tem a fome de uma nova geração que joga sem a pressão do favoritismo.
Alfaro sabe que, se der campo para a França correr, o jogo acaba cedo.
Por isso, a expectativa é de um Paraguai extremamente fechado, forçando a França a propor o jogo em espaços reduzidos.
Para piorar o desafio, os termômetros na Filadélfia prometem chegar entre 36°C e 38°C, com sensação térmica superior a 41°C.
Sob um calor extremo, o esforço para furar uma retranca pode esgotar os franceses fisicamente, o que pode ser um problema caso a partida vá para a prorrogação.
Se a França não marcar cedo, a lembrança de 98 pode assombrar o técnico francês.
Fica a pergunta: Mbappé e companhia conseguirão furar a defesa paraguaia nos 90 minutos.
Ou o roteiro daquele drama histórico vai se repetir?
A resposta será desenhada hoje, e o Paraguai entra em campo pronto para fazer a história ser diferente.

