Em busca do Hexa: veja a campanha de cada título da seleção brasileira na Copa do Mundo

Primeiro título em 1958 superando o trauma do Maracanazo

Garrincha comandando o bicampeonato no Chile em 1962

“Dream Team” de 1970 e o show dentro de campo

Bebeto e Romário e o “sai que é tua Taffarel” em 1994

Última copa conquistada e o Cascão Fenômeno 

início

Faltando pouco tempo para a Copa do Mundo de 2026, vale a pena relembrar os títulos da seleção na competição.

A seleção é a maior ganhadora do torneio realizado de quatro em quatro anos (1958, 1962, 1970, 1994, 2002).

Neste ano, os comandados de Carlo Ancelotti têm a missão de trazer o tão sonhado Hexa.

Será que nomes como Vinícius JR, Endrick ou Raphinha irão conseguir realizar o mesmo feito das gerações passadas?

Neste artigo, vamos entender as campanhas de cada time campeão com a amarelinha.

Desde a ascensão de Pelé em 58 até a marcante campanha protagonizada por Ronaldo Fenômeno em 2002.

O título de 1958 e a superação do trauma do Maracanazo contra o Uruguai

A seleção brasileira tinha a missão de superar o trauma da perda na final contra o Uruguai em 1950.

Era a sexta participação do time na competição mundial, que ainda não havia conquistado o almejado troféu.

O time era comandado por Vicente Feola.

Já o elenco tinha grandes nomes como: o jovem Pelé, Mané Garrincha, Nilton Santos, Zagallo, Didi, Bellini, entre outros.

O Brasil ocupou inicialmente o grupo 4. Inglaterra, União Soviética e a Áustria se juntavam à amarelinha para os duelos da fase de grupos.

Um importante fator para a Copa de 58 foi a mudança no desenho tático do time.

A seleção deixou de jogar no 4-2-4 para um 4-3-3.

Com Zagallo assumindo uma função importantíssima.

O ponta esquerda fez a função de “ponta recuado”.

No momento em que o time perdia a posse, Zagallo fechava pelo meio campo ajudando na recomposição e com o lateral.

Essa medida era incomum para os atacantes daquele tempo.

O primeiro jogo da seleção foi contra a Áustria.

O resultado foi espetacular. 3×0 sobre os austríacos.

O atacante ítalo-brasileiro, Mazzola, fez dois gols e um de Nilton Santos.

O jogo foi calmo para a equipe estrear com o pé direito na competição.

No entanto, no segundo jogo, a parada foi bem mais difícil.

O confronto foi contra a Inglaterra.

O time brasileiro enfrentou muitas dificuldades para furar a defesa inglesa.

Os atacantes brasileiros não tiveram uma atuação brilhante e se tornaram previsíveis.

Com o placar e uma apresentação ruim, o técnico Feola preparou mudanças no setor ofensivo.

Os três titulares Joel, Mazzola e Dino Sani foram substituídos por Garrincha, Pelé e Zito.

Essas substituições foram determinantes para o terceiro jogo.

O Brasil precisava vencer para se classificar para as quartas de final.

O duelo era contra a União Soviética.

Considerada no período como uma das seleções postulantes ao título mundial.

A seleção de Feola não reconheceu o possível favoritismo soviético e realizou uma grande apresentação.

A vitória foi de 2×0, mas muitos jornalistas dizem que poderia ser muito mais.

Logo aos três minutos do primeiro tempo, Vavá marcou o primeiro.

Esse início avassalador ficou conhecido como os “três minutos mais incríveis da história do futebol”.

Poucos minutos em que Garrincha e Pelé, estreando juntos, dominaram a defesa do time soviético.

No final da partida, Vavá fez o segundo e deu ponto final em uma das maiores atuações de uma seleção em copas.

Classificados para as quartas, Pelé e companhia iriam pegar País de Gales.

Este foi mais um confronto complicado.

O jogo foi bem disputado entre as duas nações.

A vitória brasileira veio com gol marcado pelo jovem Pelé, aos 38 do primeiro tempo.

E não foi apenas um gol comum.

Foi o gol que marcou a história.

Edson Arantes do Nascimento fez e colocou seu nome como o jogador mais jovem a marcar em uma Copa do Mundo.

Brasil nas semis.

Com Vavá de volta ao time titular, que tinha saído para Mazzola no último jogo.

A seleção brasileira mostrou um futebol espectacular diante de uma forte seleção francesa.

A partida foi considerada por muitos como a melhor apresentação do Brasil naquela Copa do Mundo.

Com autoridade e firmeza, o time goleou por 5 a 2, em uma atuação memorável de Pelé, que marcou três gols.

Até aquela semifinal, o Brasil era a única seleção a não ter sofrido gols no torneio, o que reforçava ainda mais a solidez defensiva da equipe.

A final reservou mais um capítulo histórico para o futebol brasileiro.

Em frente aos donos da casa, a Suécia, os brasileiros saíram atrás no placar no jogo.

Mas mantiveram a tranquilidade e mostraram toda sua superioridade técnica e tática.

Com gols de Vavá (2), Pelé (2) e Zagallo, o Brasil venceu novamente por 5 a 2, repetindo o placar da fase anterior.

Dessa forma, registrando a maior goleada da história em finais de Copa do Mundo.

Um fato curioso marcou a final: Ambas as seleções usavam camisa amarela e calção azul.

O Brasil precisou improvisar e adquiriu camisas azuis e calções brancos às pressas.

Antes do jogo, o chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, motivou o grupo de forma inesperada.

Paulo afirmou que o azul era também a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

A superstição, juntamente com a atuação, ajudou a consolidar a conquista.

Essa foi a história do primeiro título mundial.

A seleção, com essa grande campanha, superou o trauma de 1950 no Maracanazo e começou a escalada como a maior de todos os tempos!

Sem Pelé, Garrincha comandou o bicampeonato no Chile em 1962

 Em time que está ganhando não se muda.

Esse foi o pensamento do Brasil para a Copa de 1962, realizada no Chile.

Quase tudo o que havia dado certo quatro anos antes foi mantido para a campanha do bicampeonato.

No contexto técnico, aconteceu a troca de Vicente Feola por Aymoré Moreira no comando técnico.

Mas mesmo assim, a base campeã de 58 continuou.

Dos 11 titulares da final de 58, nove começaram jogando na estreia contra o México.

Eles são: Gilmar, Djalma Santos, Nilton Santos, Zito, Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagallo.

Apesar da força do ataque formado por Garrincha, Pelé, Vavá e Zagallo, o primeiro tempo foi truncado contra os mexicanos.

Com destaque para o goleiro mexicano Carbajal.

Só na etapa final, Zagallo aproveitou cruzamento de Garrincha aos 11 minutos e abriu o placar.

Aos 28, Zagallo passou para Pelé, que driblou o zagueiro Sepúlveda e fechou a vitória em 2 a 0.

Na segunda partida, contra a Tchecoslováquia, o Brasil sofreu um duro golpe: Pelé se machucou e foi obrigado a abandonar o torneio.

A lesão foi uma distensão muscular, ocorrida aos 27 minutos.

O maior nome da seleção teria que sair.

O empate por 0 a 0 trouxe preocupação e um grande desafio psicológico para a equipe.

Contra a Espanha, Amarildo, substituto de Pelé, foi o grande nome.

Ele não se intimidou com a responsabilidade e marcou os dois gols da virada por 2 a 1, garantindo a classificação para as quartas.

A partir daí, Garrincha assumiu o protagonismo total.

Diante da Inglaterra, o ponta do Botafogo fez dois gols e comandou a vitória por 3 a 1.

Na semifinal, enfrentando o Chile, país-sede, Mané Garrincha voltou a brilhar: marcou os dois primeiros gols.

Vavá fez os outros dois, e o Brasil venceu por 4 a 2, calando toda a torcida chilena em pleno estádio Nacional de Santiago.

Na decisão, o Brasil reencontrou a única equipe que não havia conseguido vencer no torneio: a Tchecoslováquia.

Os tchecos começaram melhor e abriram o placar aos 15 minutos com Masopust.

O gol não abalou a seleção, que empatou dois minutos depois com Amarildo.

Zito virou de cabeça, e, aos 33, o goleiro Schrojf falhou ao tentar deter cruzamento e soltou nos pés de Vavá, que definiu o 3 a 1, sacramentando o bicampeonato mundial da seleção.

A campanha foi espetacular!

Cinco vitórias e um empate em seis jogos, 14 gols marcados e apenas 5 sofridos.

Garrincha e Vavá, ambos com quatro gols, dividiram o protagonismo ofensivo e entraram para a história como símbolos do título.

Mesmo sem Pelé a maior parte do torneio, a seleção mostrou força coletiva, talento individual e superação diante das dificuldades.

Esse time consolidou-se como uma das maiores gerações do futebol mundial.

A Maior seleção de todas as copas

Na fase de grupos, o Brasil venceu todas as partidas.

Na estreia, contra a Tchecoslováquia, mesmo confronto da última final, a seleção brasileira saiu atrás.

Mas virou com gols de Rivellino, Pelé e dois de Jairzinho.

A atuação mostrou o potencial ofensivo daquele time.

O duelo marcou ainda o famoso lance conhecido como “o gol que Pelé não fez”, quando, percebendo o goleiro adiantado, Pelé arriscou do meio-campo e quase fez um gol antológico.

O segundo duelo foi contra a campeã mundial Inglaterra.

O Brasil venceu por 1 a 0, com gol de Jairzinho após jogada de Tostão.

A partida ficou marcada pela defesa antológica de Gordon Banks, que impediu um gol de cabeça de Pelé em lance celebrado até hoje como uma das maiores defesas da história das Copas.

O confronto foi físico e intenso, com relatos de bastidores mostrando o quanto os detalhes fizeram diferença, fora lances de personalidade e rivalidade.

Carlos Alberto Torres, capitão do time, considerou este o jogo mais difícil da campanha.

Na terceira rodada, o Brasil, já classificado, enfrentou a Romênia.

Mesmo com poupados e mudanças no time, venceu por 3 a 2, com dois gols de Pelé e um de Jairzinho.

O técnico Zagallo mostrou ousadia ao apostar em Paulo Cézar Caju e Piazza.

Ainda assim, o Brasil mostrou sua força e avançou liderando o grupo.

Nas quartas de final, o Brasil enfrentou o Peru, treinado por Didi, ídolo do bicampeonato brasileiro.

Foi um jogo movimentado, com vitória por 4 a 2, gols de Jairzinho, Rivellino e dois de Tostão.

Antes do apito inicial, Pelé protagonizou uma jogada publicitária histórica ao amarrar os cadarços em campo.

O respeito pelo técnico adversário era evidente, mas a seleção mostrou superioridade técnica e avançou contra os peruanos.

A semifinal reservou o reencontro com o Uruguai.

Velho fantasma do passado.

Vinte anos após o Maracanazo.

Os uruguaios saíram na frente, mas Clodoaldo empatou ainda no primeiro tempo.

A seleção foi avassaladora no tempo final. Jairzinho e Rivelino selaram a virada por 3 a 1.

Destaque no jogo para um dos dribles mais inesquecíveis de Pelé: o famoso “drible da vaca” sobre Mazurkiewicz.

Quase marcando um dos gols mais bonitos da história.

O jogo também teve momentos de tensão e rivalidade, que só aumentaram a mística do confronto entre as duas equipes.

A grande final foi disputada contra a Itália, no lendário Estádio Azteca.

O Brasil, favorito, confirmou sua superioridade ao vencer por 4 a 1, com gols de Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres.

O quarto gol, após troca de nove passes e finalização precisa do capitão Carlos Alberto, é considerado até hoje um símbolo do futebol brasileiro.

O título garantiu ao Brasil a posse definitiva da Taça Jules Rimet, consagrou Zagallo como o primeiro campeão mundial como jogador e técnico.

Além disso, Pelé se tornou o único atleta tricampeão da história das Copas.

A campanha de 1970 é vista por muitos como a mais brilhante de todos os tempos: seis vitórias em seis jogos, futebol ofensivo, talento individual e coletivo, e lances inesquecíveis que ajudaram a eternizar aquela geração.

“é tetra! é tetra!”

A trajetória do tetra em 1994 começou com uma vitória segura por 2 a 0 sobre a Rússia, em um jogo onde a seleção dominou amplamente e viu o entrosamento entre meio-campo e ataque funcionar, apesar da perda precoce do zagueiro Ricardo Rocha, por lesão.

Os gols foram de Romário e Raí.

No segundo jogo, o Brasil superou Camarões por 3 a 0.

Partida marcada pela eficiência ofensiva, embora houvesse vozes críticas como a de Telê Santana que apontava um excesso de cautela defensiva na equipe.

O encerramento da fase de grupos veio com um empate em 1 a 1 contra a Suécia, em um duelo mais lento e previsível, que serviu para evidenciar a necessidade de maior mobilidade tática para furar bloqueios bem montados e defensivos.

Além disso, mostrou a força dos suecos que seriam semifinalistas e pegariam o mesmo Brasil.

Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou os donos da casa, os Estados Unidos, em um 4 de julho de extrema tensão.

A vitória por 1 a 0 foi garantida por Bebeto após belo passe de Romário.

No entanto, o confronto ficou marcado pela expulsão de Leonardo após cotovelada em Tab Ramos.

Fato que forçou o time a mostrar uma resiliência defensiva e firme com um jogador a menos na partida.

Já nas quartas de final, o Brasil protagonizou contra a Holanda o que muitos consideram o melhor jogo daquela Copa.

Após abrir 2 a 0 e sofrer o empate, a seleção buscou a vitória por 3 a 2 com uma cobrança de falta histórica de Branco.

Este foi um teste definitivo para o coração e mental do time.

A semifinal promoveu o reencontro com a Suécia, mas desta vez o domínio brasileiro foi absoluto.

O time de Parreira pressionou os suecos durante os 90 minutos.

O gol de cabeça de Romário, que, mesmo baixo, apareceu entre os gigantes da zaga adversária, colocou o Brasil na final após 24 anos.

A grande decisão contra a Itália foi um duelo de xadrez tático sob um calor escaldante, terminando em 0 a 0 após a prorrogação.

Pela primeira vez, o título foi decidido nos pênaltis: após os erros de Baresi e Massaro e a defesa crucial de Taffarel, o capitão Dunga converteu sua cobrança.

Na cobrança decisiva, Roberto Baggio chutou para longe do gol, selando o tetracampeonato.

É importante lembrar da histórica homenagem a Ayrton Senna no gramado do Rose Bowl.

Não podemos esquecer também do eterno “É TETRA! É TETRA!”, dito por Galvão Bueno, em comemoração ao título brasileiro.

o fenômeno de 2002

A trajetória do pentacampeonato em 2002 foi uma jornada de afirmação técnica e união de grupo sob o comando de Luiz Felipe Scolari.

O Brasil estreou com uma vitória de virada por 2 a 1 sobre a Turquia.

O jogo foi tenso e marcado pela liderança de Rivaldo, que assumiu a responsabilidade de converter um pênalti polêmico sofrido por Luizão.

O primeiro foi de Ronaldo.

Com o placar, a seleção garantiu os primeiros três pontos após partida complicada.

Na sequência da fase de grupos, a seleção deslanchou com goleadas: um 4 a 0 impositivo sobre a China e um 5 a 2 contra a Costa Rica.

Este último jogo permitiu a Felipão rodar o elenco, fazendo com que todos os 21 jogadores de linha convocados entrassem em campo ao menos uma vez no torneio mundial.

Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou a Bélgica naquele que Ronaldo consideraria o jogo mais difícil da campanha.

Após um susto com um gol belga anulado e um início de partida instável.

A individualidade de Rivaldo abriu o caminho para a vitória por 2 a 0.

O segundo gol foi feito por Ronaldo, em lance de contra-ataque.

O duelo marcou a entrada de Kleberson no meio-campo para dar o equilíbrio que faltava para a equipe.

Já nas quartas de final, a seleção superou a Inglaterra por 2 a 1 com uma atuação histórica de Ronaldinho Gaúcho.

O meia marcou um gol de falta espetacular em Seaman.

Um dos lances mais memoráveis e lindos do futebol.

Ronaldinho acabou sendo expulso pouco tempo depois.

Mas o Brasil controlou bem a partida com maturidade para segurar o resultado da classificação.

A semifinal promoveu o reencontro com a Turquia, vencida novamente em um duelo de alta dificuldade por 1 a 0.

O gol decisivo foi de Ronaldo, em um chute de bico que remeteu ao estilo de Romário, enquanto o final da partida ficou eternizado pela imagem de Denílson sendo perseguido por quatro turcos em uma demonstração de habilidade.

Mas principalmente pela narração de Galvão que eternizou o lance.

A grande final contra a Alemanha marcou o primeiro encontro entre as duas potências em Copas.

Em um ambiente relaxado na véspera, o Brasil confirmou o favoritismo no Japão: com dois gols de Ronaldo, aproveitando uma falha de Oliver Kahn no primeiro e uma assistência inteligente de Rivaldo no segundo, a seleção venceu por 2 a 0.

Coroando a “Família Scolari” com o penta e garantindo premiações iguais para todos os membros da delegação, do artilheiro ao massagista.

O destaque foi para o Fenômeno que marcou oito gols na competição.

Temos que citar também a incrível atuação de Rivaldo que desequilibrou muitas vezes.


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