Assim como em todas as outras edições, a Copa do Mundo de 2026 voltou a mostrar por que é a maior vitrine do futebol.
Durante algumas semanas, todos os olhares do planeta se voltam para um único torneio
É nesse palco que jogadores podem transformar suas carreiras diante de clubes e olheiros do mundo inteiro.
Foi exatamente isso que aconteceu em 2022.
Enzo Fernández foi eleito a revelação da competição e, poucos meses depois, protagonizou uma transferência de 121 milhões de euros para o Chelsea.

Embora o argentino já fosse uma promessa, cada Copa também revela nomes que chegam praticamente anônimos e deixam o Mundial valorizados.
Pensando nisso, reunimos cinco jogadores “low profile” que chamaram a atenção na Copa do Mundo de 2026 e podem ser os próximos a dar um salto na carreira.
YAN DIOMANDÉ (COSTA DO MARFIM)

Com apenas 19 anos, Yan Diomandé foi uma das grandes revelações da Copa do Mundo.
O atacante ajudou a Costa do Marfim a alcançar o mata-mata do Mundial pela primeira vez.
Do futebol descalço em seu país aos gramados do maior torneio do planeta, encantou pela velocidade, pelo alto volume de dribles e pela assistência diante do Curaçao.
As atuações despertaram o interesse de gigantes como Liverpool e PSG.
Apesar da excelente campanha na fase de grupos, os marfinenses acabaram eliminados pela Noruega.
Antes do Mundial, Diomandé já vinha de uma temporada brilhante pelo RB Leipzig, com 13 gols marcados e o prêmio de revelação da Bundesliga.
Foi na Copa, porém, que seu nome ganhou projeção internacional.
Atualmente, o jogador é agenciado pela Roc Nation Sports, empresa da qual o rapper Jay-Z é sócio e que também administra a carreira de estrelas como Vinícius Júnior, Lucas Paquetá, Endrick e Gabriel Martinelli.
Fora das quatro linhas, sua história de superação, marcada por rejeições no início da carreira e pela homenagem constante à irmã falecida, conquistou torcedores ao redor do mundo e o transformou em um dos personagens mais marcantes desta Copa.
JOHAN MANZAMBI (SUÍÇA)

“Não vou dormir essa noite.”
Foi assim que Johan Manzambi resumiu a emoção após marcar dois gols em sua estreia na Copa do Mundo.
Aos 20 anos, o jogador do Freiburg, da Alemanha, precisou de poucos minutos para mudar o rumo da partida contra a Bósnia e Herzegovina.
Acionado aos 25 minutos do segundo tempo, saiu do banco para balançar as redes duas vezes e selar a vitória suíça por 4 a 1.
Nascido em Genebra e filho de imigrantes congoleses, o meia-atacante iniciou a carreira nas categorias de base do Servette antes de se transferir para o futebol alemão.
Foi no Freiburg que se desenvolveu e chamou a atenção do cenário europeu.
Ainda pouco conhecido do grande público, chegou ao Mundial cercado por expectativa após ser eleito pela UEFA a revelação da Liga Europa 2025/26 na categoria sub-21.
As atuações na Copa transformaram Manzambi em um dos nomes mais comentados da competição.
Mesmo desfalcando a Suíça nas quartas de final contra a Argentina por conta de uma lesão no joelho.
No mercado, o Newcastle chegou a encaminhar um acordo com o Freiburg, mas as negociações esfriaram.
Agora, o Aston Villa aparece como favorito para contratar o suíço em uma negociação estimada em cerca de 60 milhões de euros.
ORLANDO GILL (PARAGUAI)

A caminhada de Orlando Gill até o Mundial é digna de um verdadeiro herói.
Aos 26 anos, o goleiro, até então pouco conhecido fora da América do Sul, surpreendeu ao assumir a titularidade da seleção paraguaia, desbancando o experiente Gatito Fernández.
A aposta se mostrou certeira.
O camisa 12 liderou o ranking de desempenho da FIFA após uma atuação histórica contra a Alemanha, sendo decisivo na classificação do Paraguai para as oitavas de final.
Mesmo com a eliminação para a França, voltou a ser protagonista e foi eleito o melhor jogador da partida graças a uma sequência de defesas espetaculares.
As atuações fizeram seu nome ganhar destaque na imprensa internacional e despertaram o interesse de clubes como Manchester United, Torino e Lazio.
Sua trajetória, porém, nem sempre foi assim.
Durante a Copa de 2022, chegou a vender camisas, luvas e chuteiras para custear o tratamento médico de seu filho recém-nascido, que enfrentou problemas de saúde após nascer prematuro.
“Orlando vendia suas roupas do clube onde jogava para conseguir pagar as despesas. Nosso filho lutava pela vida e o pai sempre esteve presente.”
“Ele vendeu tudo, até sua camisa da seleção sub-20… Tudo!”, relatou sua esposa nas redes sociais.
JULIÁN QUIÑONES (MÉXICO)

Artilheiro da campanha mexicana na Copa do Mundo de 2026, Julián Quiñones tem uma trajetória marcada por extremos.
Autor do histórico primeiro gol do Mundial, o atacante nasceu em Magüí Payán, na Colômbia.
Mas construiu sua identidade e carreira no México, país que o acolheu e cuja camisa passou a defender com orgulho.
O caminho até o estrelato, porém, esteve longe de ser simples.
Durante anos, Quiñones enfrentou episódios de preconceito, xenofobia e racismo por sua origem colombiana.
Fora das quatro linhas, também travou uma dura batalha contra o alcoolismo.
Chegou a ser rotulado de forma cruel como “bêbado” durante o período mais difícil de sua carreira.
A resposta veio da maneira que todo atacante sonha.
Com gols.
Após se reerguer e brilhar no futebol saudita, chegando ao Mundial depois de superar Cristiano Ronaldo na artilharia da liga, Quiñones viveu o auge da carreira na Copa.
Ao lado do experiente Raúl Jiménez, formou uma das duplas de ataque mais eficientes da competição.
Com quatro gols marcados, o camisa 11 conduziu o México às oitavas de final e consolidou sua redenção no cenário internacional.
O desempenho valorizou seu passe e despertou o interesse de gigantes da Premier League, com Chelsea e Aston Villa surgindo como os principais candidatos à sua contratação.
VOZINHA (CABO VERDE)

Nascido em Praia, capital de Cabo Verde, o veterano goleiro Vozinha, de 40 anos, levou para a Copa do Mundo de 2026 a esperança de uma nação inteira.
Após passar grande parte da carreira por ligas modestas e conviver com críticas em momentos de instabilidade, chegou a cogitar encerrar seu ciclo na seleção antes do Mundial.
A maior resposta, porém, estava reservada para o maior palco do futebol.
Na Copa, Vozinha transformou-se em uma verdadeira lenda ao liderar a campanha histórica dos Tubarões Azuis.
O goleiro de 1,96 m operou milagres na estreia contra a Espanha, garantindo o empate por 0 a 0 e sendo eleito o melhor em campo.
Nas oitavas de final, voltou a protagonizar uma atuação memorável diante da Argentina de Lionel Messi.
Ao todo, somou 15 defesas contra duas das maiores potências do futebol mundial.
O desempenho o transformou em um fenômeno nas redes sociais, ultrapassando a marca de 28 milhões de seguidores.
O impacto da Copa mudou completamente os rumos de sua carreira.
Livre no mercado após o fim do contrato com o Chaves, de Portugal, Vozinha despertou o interesse do Inter Miami.
As negociações avançaram rapidamente, abrindo a possibilidade de o veterano atuar ao lado de estrelas como Lionel Messi, Luis Suárez e Casemiro.
Aos 40 anos, a Copa do Mundo não representou o capítulo final de sua trajetória.
Foi o início do reconhecimento internacional que perseguiu durante toda a carreira.

